sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Um agradecimento especial


Deixo aqui uma carta escrita pela Cassilda, jovem do Bairro do Kandumbu, de agradecimento a todos os que nos ajudaram/apoiaram e tornaram este sonho possível (mantive os erros):

"Nome: Antónia Cassilda de Carvalho

Antes de tudo queria mandar os meus cumprimentos para todas as famílias do Portugal.
Eu agradeci tanto das professoras e professores que passaram a nos ensinar tão bem até eu e os meus colegas aprendemos melhor e agradecemos tanto e eu quero que sempre possam vir cá no nosso País mais alguns dias e eu gosto que vocês estejam de saúde e aprendem bem com os professores e aproveitem boas aulas. Porque estudar é muito bom.
Porque nós que somos estudantes somos futuro dos nossos Países. E mando os meus cumprimentos a todos os trabalhadores de lá do Portugal. Por isso meus colegas de lá do Portugal vamos estudar para nós sermos melhor nos nossos Países. Por isso vamos construir um mundo melhor. E eu quero que todos estejam felizes nada de mal. E nós cá em Angola, Província de Benguela, escola de Santo Estevão, Município de Benguela, Bairro do Kandumbu vos enviamos os nossos agradecimento.
Envio as minhas saudações para do Portugal."

domingo, 31 de agosto de 2008

Os 19 na chegada ( aeroporto de Lisboa). Viemos mas deixamos lá um bocado do nosso coração!
Adorámos a experiência! Não há palavras...

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Formação de professores no bairro St António




Durante as manhãs da semana o bairro de St António tem estado a dar formação aos profs. Aqui estão eles e algumas das obras de arte que fizeram.

Passeio na Baía Azul


No sábado, dia 23 alguns de nós foram passear.
O grupo de St António foi dar um mergulho à Baía Azul com os escuteiros e outros jovens do bairro. Fizemos escalada pelos montes circundantes, vimos bichos estranhos, frutos estranhos e paisagens lindas! Jogámos ao “eu vi o ganso”, conversámos, debatemos e trocámos experiências mais pessoais. Foi um dia muito bem passado.

Dia de descanso e de passeio


Dia 20, 4ª feira, foi dia de descanso e de passeio.
De manhã, alguns de nós foram ao mercado comprar panos e artesanato e viver algumas aventuras no meio do trânsito atribulado. Como não há passeios, nem passadeiras, temos de estar atentos! Na rotunda, íamos atravessar, quando veio uma mota em sentido contrário, por isso, aqui não se confia em nada que seja relacionado com regras de trânsito.
À tarde visitámos o Museu de Arqueologia de Benguela, que era uma casa de comércio de escravos. Depois fomos de “pick-up” visitar fazendas de milho, banana, feijão, tomate, etc. Claro está que comemos muito pó…viemos todos sujos, com cabelo seco e as vias respiratórias entupidas e escurecidas.
Ao jantar tínhamos uma bela mousse de mamão à nossa espera feita pelo Nuno Cruz.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Um novo rumo no Kandumbu

(19/08/08)
A acompanhar a mudança da estação em Benguela mudou também o rumo da nossa motivação em relação ao trabalho realizado no Bairro do Kandumbu.
Se até aqui o nosso dia-a-dia era preenchido com explicações e filmes, hoje a rotina foi quebrada. Conseguimos finalmente estar com aqueles que mais precisam, e merecem, a nossa atenção…os meninos da rua. Estes são as crianças que têm menos possibilidades de ir à escola, de conseguir uma consulta no Centro de Saúde e que revelam na sua atitude a falta de atenção que sofrem.

Nos primeiros dias sentimos alguma dificuldade em chegar a eles, porque a sua vontade de estar connosco, de nos tocar, era tanta, que se atropelavam para estar mais próximos, o que nos causou algum medo, por uma atitude quase selvagem. Até que um dia, durante as horas mortas, sem nada para fazer, conhecemos um grupo de meninas que brincavam na caixa de areia que nos olhavam com um olhar curioso e cativante, típico das crianças. Conhecemos então a Nita, a Ana, a Sheila, a Neuza e a Lai. Passaram a fazer parte dos nossos dias. Vinham cumprimentar-nos com um sorriso aberto desejoso de uma resposta, e com elas começaram a aparecer mais crianças.

Depois de vários dias dedicados à escola, chegou mais um dia de actividades. Sem o truque do filme na manga, era urgente arranjar uma forma de os ocupar. Sentámo-nos então nas escadinhas da igreja, a olhar para as crianças e elas para nós. A Andreia logo arranjou que fazer com as suas alunas. Como prometido, ensinaram-na a fugir da bola que tanto teimava em lhe acertar, ou seja, o famoso jogo angolano, a “garrafinha”. Também o Tiago conseguiu escapar e juntou-se a um grupo de rapazes que acompanhados de uma bola logo começaram um jogo de futebol. E nós continuamos a olhar para elas e elas para nós. Com tantos olhares expressivos e sorrisos bonitos sentimos necessidade de os registar, para mais tarde recordar. E logo a máquina fotográfica se tornou a personagem principal. Era o “click” que faltava. Para conseguir acabar com a euforia da máquina começamos a cantar canções. Como hábito, começámos pela canção “Atirei o pau ao gato”. Com vozes tão afinadas lançámos o desafio para nos ensinarem canções novas. E que belo concerto elas nos ofereceram. Ora vejam lá se não temos razão. Como prova, deixamos aqui as letras de canções tão únicas que nos deixaram sem palavras:

• “Em cima de uma montanha tem uma flor azul/ Quem tirar essa flor comigo é sem parar/ Vou tirar meu chapéu para cumprimentar/ Quilara quilara quilara oba”;
• “Mano João está a dormir/ O sino já tocou/ Está na hora de saída”; • “O comboio partiu as pernas/ Chia chia barriga de carvão”;
• “Atrás da nossa escola encontrei um jornal/ Estava escrito: Viva a nossa escola”;
• “O passarinho donde/ Caiu na água donde/ Ficou gelado donde/ Eh eh eh donde”;
• “O carro na estrada pi pi pi/ Bateu numa pedra pa pa pa/ O homem do lado maié maié maié/ morre morreu morreu ai ai ai/;

Pelo meio encontramos uma “melancia gorda e vaidosa”, fomos à “caça do leão” e andámos a “apanhar animais no jardim”. Sem mais ideias e com medo de uma nova rebelião e já com a curiosidade aguçada tratámos de os pôr a mexer. Foi um belo espectáculo de Kuduro proporcionado pelas crianças. Ao som do “Minguito”, crianças pequenas mostravam o sangue que lhes corre nas veias, o autêntico angolano. E foi com este pequeno momento que continuamos a perseguir o sonho de lhes dar um mês diferente e único.

Teresa e Rita Maio

sábado, 9 de agosto de 2008

Twalali!

Luanda, nosso ponto de chegada, numa noite abafada, com uma boa praxe ao barulho, ou seja, o pedido de gasosa por parte dos crimi... polícias luandenses. Mas tudo passa, e para além de algum material da missão retido no aeroporto a caminho de Catumbela pouco mais à a dizer. Até a mala do Nuno apareceu! Ele que coitado chorava todas as noites por ela e tentava roubar a dos outros.

Há bastantes histórias a referir, vários temas de conversa que se tiveram (dominados pelos mosquitos), e agora que já passou uma semana chegou-nos um pouco de civilização a este ermo. Vá, digamos que esta zona não é propriamente um local esquecido pelo mundo, pois até que existe aqui de tudo um pouco, inclusive amaciadores para as cabeças mais sensíveis. Esqueçamos este tom jocoso de quem foi obrigado aqui a escrever, sob pena de ficar sem almoço, e passemos a coisas mais sérias.

Com o apoio da minha parceira covilhanense (Dina - Didi para os amigos), passamos a enumerar o mais sucintamente possível, senão lá se ia a internet, de novo, devido ao cansaço:

Numa das primeiras noites, foram contadas histórias de terror como dinâmica de grupo, sendo estas fundamentais para um melhor companheirismo, tendo algumas pobres almas ficado assustadas para o resto da noite. Assim sendo, dois jovens de aspecto um tanto ou quanto duvidoso, dos quais não posso citar nomes, envolveram-se em ligaduras (que levou à escassez de papel higiénico) e sinetas e afins e decidiram semear o pânico no seio das raparigas, provocando o que se diz aqui - kagufa. Mas fica o aviso delas: a vingança serve-se fria.

Ok, ficamos por aqui... Estou a ser violentamente espancado para que saia daqui, visto a internet ser um bicho raro e apetecida por todos, pelo que me despeço.
Salipo - acho que é assim o adeus.

Tiago Alves